reunião

Assim, sentada em minha sala com um fogo queimando por dentro, remexo na cadeira como se fosse cessar a inquietação. Parece que nada consegue manter meu foco e já estou no terceiro copo de café. Apenas uma solução.

Pego minha bolsa e vou até o banheiro. Meu vibrador apesar de discreto, faria muito barulho. Alcanço minhas bolinhas e coloco na calcinha. Apertada como é, por mais que caminhe, nenhuma chance de cair. Sento novamente a minha mesa e coloco a bolsa no lugar. E o trabalho, fica um pouco mais interessante. A cada ligação, preciso manter o fôlego de seriedade. Ainda bem que a cara, ninguém vê, mordo os lábios, reviro e fecho os olhos. A cada passada de pernas minhas bolinhas mexem e o movimento é sempre inesperado. Ora no grelinho, ora na entrada da buceta. E o mel escorrendo entre elas melhora cada vez mais o fluxo…

- Ana!

- Oi!

Na entrada da minha sala, a supervisora aparentemente escolheu um péssimo momento para supervisionar.

- Vim saber dos relatórios.

- A caminho, chefe.

- Rápido, por favor. Quero entregue na minha mesa.

- Claro, assim que acabar aqui passo lá.

A demônia vira para ir embora mas volta, tentada pelas chamas do desastre.

- Não. Ana, vem comigo agora. Vamos finalizar na minha sala.

- Ah… claro. Posso dar uma passadinha no banheiro antes?

- Vai na minha sala. Vem, não gosto de esperar.

E lá vamos, comigo segurando nas mãos de Deus para aguentar essas bolinhas independente de qualquer coisa. Pego minha pasta e a acompanho. Durante a caminhada no corredor imaginei que minha buceta secaria devido a cortada brusca de onda. Infelizmente, filha da puta como sou, queria rir e estava me divertindo com a situação. Minha chefe também sempre colocou um climão no ar. Salto agulha, avisando ao chegar pelo barulho deferido no chão. Muito séria. Não me lembro de a ver sorrir, pensando bem. Deveria estar mais tensa por estar com a pessoa mais aterradora da empresa. Alguns passos e chegamos, preciso apenas de concentração. Frente ao seu escritório, ela abre a porta e ao me dar passagem, sinto que será o máximo de gentileza.

- Vou dar só aquele pulo no banheiro e começamos ok?

Em dois passos de desespero chego a porta e não abre.

- Parece estar trancada.

- Verdade! Nelita estava lavando e ela tem o costume de trancar, está muito apertada?

- Não… Sabe o que é? Estou menstruada e queria ver se tá tudo bem.

- Ah, é isso? Então relaxa, não está vazando e vai ser jogo rápido.

Puta que pariu, errei na desculpa. Devia falar que estou apertada. Agora vai ser necessário manter a postura cara a cara. E como ela olhou minha bunda? Com seus olhos das costas?

- Claro, vamos lá. Quanto mais rápido, melhor.

- Está com pressa?

Sinceramente não sei porque nosso cérebro é assim. Para mim ela já sabe de tudo e deve estar tirando uma com minha cara. Frente a esse olhar irônico, pareço nervosa?

- Ocupada, diria. Muitas coisas para analisar e acredito que a senhora também esteja atarefada.

- Ana, não me chama de senhora. Não devo ser nem cinco anos mais velha que você. Estou acabada assim?

- Desculpe, parece o termo mais adequado.

- Gosto quando me chama de chefe. Não soa com desprezo como pelos outros do prédio.

- É sincero. Mas não liga não, é que ninguém aqui tem peito pra ver mulher mandando, ainda mais sendo jovem.

Ela sorri discreto e desvia para buscar algo na gaveta. Tímido, sequer avistei os dentes, de qualquer forma, uma vitória.

Colocando sob a mesa a pasta recém pega;

-Quero sua opinião sobre esses leads.

-Minha opinião?

-Sim, tenho acompanhado seu trabalho. Todos clientes atendidos por você, rendem-se a elogios Você consegue reverter situações até de alto estresse. Isso para mim, é essencial.

-Claro, quando falamos de qualidade é sobre isso. Além do mais, apesar de termos foco na captação, sem manter os clientes já revertidos, vamos ter uma outra base problemática para tratar mais à frente, desnecessariamente.

-Nossa, exatamente! Sem rodeios, já falarei da minha proposta a você. Você está cursando pedagogia, correto?

-Correto.

-Gostaria de sua coordenação em alguns treinamentos para os analistas de atendimento ao cliente. Quero que traga sua perspectiva. Ana, eu realmente gosto do seu olhar, você é uma exímia profissional.

Pelo andar das coisas, não posso fazer nenhum movimento brusco. Essas bolinhas… agora sim seriam meu fim.

-Isso é incrível chefe. Aceito, tenho total competência para o mesmo.

-Está vendo? Você me oferece as melhores respostas! Você vai longe menina. Por favor, levante-se, quero oficializar essa união.

Levanto como quem está com a escoliose atacada: devagar e quase parando. Pelo menos a desculpa da cólica outrora falha, caberia nesse momento. Vou em sua direção e estendo a mão. Fiquem estarrecidos ou não, insatisfeita, ela me puxa para um abraço. No mesmo minuto, a tragédia se concretiza e um passo em falso faz com que consiga ouvir uma de minhas bolinhas quicando pela sala.

-O que foi isso?

-É… deve ter saído do meu blazer.

Ela caminha com seu salto agulha à frente, parando em cima do meu brinquedo o parando com o pé. Agacha para pegar e tateia com a maior curiosidade. Não tem para onde correr, deve estar exalando aquele cheirinho único.

-Isso é…?

-Eu posso explicar.

Minha chefe dessa vez riu de mostrar os dentes, não só eles como disparou gargalhadas pelo ambiente. Quem passou de fora pelo corredor, deve ter estranhado tanto a situação quanto eu, que nunca tinha ouvido sequer uma risada. Ela senta na cadeira mais próxima, ainda rindo, como se as pernas tivessem fraquejado. Em pé, acompanhando tudo como quem espera a pior das sentenças. Recuperando o fôlego ela me lança:

-Então você gosta de brincar no horário de trabalho?

-Na verdade eu não costumo sabe… Aparentemente só escolhi o dia errado.

-Por essa não esperava.

-Chefe, foi um mal entendido. Juro que não repito.

-Esse é seu segredo?

-Como assim?

-Para lidar com os piores clientes, só algo que relaxe muito mesmo.

-Como disse, foi uma vez só…

-Desculpe, essa é a situação mais inesperada que já vivi, não aguentei. Não quero te deixar desconfortável.

-Não estou, apesar de tudo. Afinal, nem contava em ser pega.

Ela estende a mão para me entregar a bolinha e diz uma filosofia de vida:

-Da próxima vez, minha amiga, dê desculpas melhores para preceder situações inesperadas.

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para além de suas expectativas

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